domingo, 2 de setembro de 2012

A poesia

"- Entre se quiser, está nevando. Talvez teremos o que procura.- Disse surgindo do escuro, vendo a sombra de alguém na porta, hesitante.
- Não sei devo, talvez não seja realmente necessário. - Ao dizer sua voz tremia, de algo temia.
- Como quiser. - Caminhei lentamente para o fundo da loja novamente. - Já que é assim, estamos fechados. Volte amanhã.
-Ãhn, é.. Eu, - Desistindo de falar, ouço o sino da porta bater.
Ele se foi, atravessou a rua atordoado e meus olhos o seguiram o máximo possível. Ele se foi, o forte cheiro de lírios continuou pairando no ar.
- Ele voltará. - Disse uma voz que saiu da minha boca, mas não a reconheci como minha.
Na manhã seguinte, como previsto, o sino anucia a entrada de alguém. Levanto os olhos do meu livro e observo um homem alto, timido, lindo.
- Voltei, e procuro seu amor, este está a venda nas prateleiras? Gostaria também do brilho dos seus olhos, seu olhar negro me encarando tira-me o ar. Pare de me olhar como se fosse louco - Se aproxima e para na minha frente - Você me conhece e eu te conheço. Talvez não lembre de mim, também não lembraria. Pense um pouco melhor. - O cheiro de lírios tomou o ar novamente e uma forte rajada de vento balançou meus cabelos.
Levantei e fui fechar as janelas, tentando lembrar onde o conhecia. Lírios, tic tac, lírios, tic tac, lírios, tic tac, lírios, tic tac, lí..."

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA - Um forte grito rasgou minha garganta. Levanto a cabeça e nada mais vejo, a não ser meu bloco de notas e minha caneta sendo esmagada pelos meus dedos trêmulos.
Atordoada, lembranças invadem minha mente "Um beijo, um abraço, um mar violento e agitado, uma noite, um sexo, uma bebida, um medo, uma lua, uma gargalhada, um grito, uma morte e uma voz ecoando em sua mente: Pense um pouco melhor"
Era noite de lua cheia, talvez a mais linda do ano. Corria sem destino, talvez quisesse agora alcançar a lua, fugir dali, encontrar uma dimensão onde estivesse segura. As assombrações voltaram e o medo ressurgiu junto com toda a culpa que sentirá, matará duas pessoas, deixaste uma vida se afogar e perdera a sua lamentando-se. Mataste tua alma no momento em que se culpasse. Havia tido alta a apenas duas semanas... Duas semanas e tinha uma nova vida, duas semanas e uma nova memória, duas horas tudo destruído. Perdida em um mundo dela, sentou-se na areia. E ali, sentada observando o vai e vem da onda, pegou seu bloco de notas e sua caneta preta, a mesma que sempre usará. E encontrou novamente o menino, ali sendo escrito com caligrafia corrida, estava sorrindo para ela, e mais uma vez, saiu de si, atravessou outra dimensão e percebeu que estava perdida. Sua alma se afogará na imensidão do papel branco e mais nada lhe tiraria dali.
Horas depois, encontraram-na desmaiada na areia, internaram-lhe novamente. Semanas se passaram, e nenhuma melhora, nenhum sinal de racionalidade.
Dois de setembro de mil novecentos e setenta e cinco, fazia sol, e deitada no divã estava perdida novamente em sua imaginação.. Após o término de sua consulta, escutou seu médico falando com umas das enfermeiras "Essa menina se perdeu, se perdeu na imaginação, tudo o que vê, ouve e até sente, é apenas fruto de um coração partido e uma mente livre..." Fechou a porta, e sorriu forte, satisfeita em saber que casará com a literatura, nada mudaria o fato de ser livre diante de seus pensamentos, que morasse neles, e com medo ficava sempre que tentavam entender sua mente, se um dia descobrissem seus segredos, jamais seria livre novamente.
Com a poesia se sentia em casa, pois nela meu bem, o sentido é supérfluo. E se quiseres, puxe um banco e sente-se para escutar, ou pegue-a pela mão, e voa para algum lugar. Sentou-se na cama, pegou seu bloquinho e uma caneta, e novamente viajou em suas memórias. "Alguém sentou-se ao meu lado, e novamente o ar estava cheirando a lírios..."

|Erika Bastos

terça-feira, 24 de julho de 2012

Não corra.

Lave o rosto com algumas lágrimas mal choradas, sonhe alguns desejos não compridos e ande como se a trajetória não chegasse ao fim. Dance a morte, viva o amor, e voe, voe para longe mas que sempre fique perto. Não tenha medo dos pontos finais, não são tão ruins assim. Ensine sua dança, pegue seu par, a contagem regressiva está apenas começando.

|Erika Bastos

segunda-feira, 25 de junho de 2012

E assim morra, digo, ame.

Amar é doar-se, quanto mais mortos deixamos os sentimentos, mais vivo e vazio estamos. E quem conseguiria viver assim, perdido no abismo que é um coração sem fim? Ame, ame e dance, ame e voe, ame e morra, vá para onde o tempo não manda. Abra a mente, desligue a luz e traga teus sonhos, sinto o cheiro do teu medo. Lhe ensinarei a dança da morte.

|Erika Bastos

domingo, 20 de maio de 2012

Para sempre.

"Conheci um lindo viajante,
viajante pela dor,
e até quem diria, pelo confuso amor.

Eu conheci um anjo sem asas, uma chama na brasa.
Sentia que era o melhor que havia,
talvez mais uma ironia vivida.

Era meu, será? Só meu,
e quem diria que um dia,
eu deixaria de viver nesse breu?

Engraçado como teu sorriso de canto tirava-me o ar,
como seu jeito me fazia voar,
e entao partiu sem me levar.

Quando quiser voltar,
quando a felicidade faltar,
estarei aqui com sorrisos guardados pra lhe entregar.

Não é loucura pela dor, é loucura por amor.
Estarei aqui quando todos te perderem, talvez esquecerem...
Estarei aqui cumprindo uma promessa, se lembra dessa?

Segurarei teu mundo quando as forças perder,
estarei contigo até quando me esquecer,
o teu sentimento forte me fez crescer, agora, venha comigo viver.

Estou presa aqui, como se tivesse te perdido
Me disseram que você voltou,
mas bem quando meu horario de visita acabou.

Os lençóis são finos e sinto falta dos seus cochichos,
os remedios são fortes, cadê você?
Me abraça, bem forte.

Loucura? Me prometa que me lembrará de te amar mesmo quando eu dizer que ja chega.
Lembrarei de ti, mesmo quando tudo ir
Sonhei que me deixou, ainda está aqui meu beija flor?"
Baixinho lhe sussurava - Estou aqui meu amor, sempre estive.

|Erika Bastos

terça-feira, 17 de abril de 2012

Porque demorastes tanto?

Estou a lhe escrever aos prantos, quase não contendo a vontade de sair a tua procura. Lucas, deixastes muitas perguntas, gostaria de saber as respostas, acaba hoje a ultima chance de um nós, e está será minha ultima carta em vida. Quando estiver lendo, olhe para o céu, estarei a lhe observar como sempre fizera. Conhece essa citação? “As palavras são só palavras, e nunca ouvi dizer que em um coração magoado fosse possível se penetrar pelo ouvido.” — Khaled Hosseini, Conseguimos provar o contrario, não é mesmo? Com o nosso amor em palavras, o carinho entre poesias, nós conseguimos tocar até a lua e a sua corrida caligrafia me tocou. Não lhe contei, tinha a esperença de que realmente nos veriamos, mas o destino nunca foi meu amigo e me levou para longe dos teus mimos. Estivera esse tempo todo com os meus dias contados, minha hora finalmente chegou. Sim, digo sim a tua pergunto, eu sou sua, sempre irei pertencer ao meu unico mar, com o bate e volta intenso, ainda sinto o teu cheiro, feito um incenso na briza do ar.
Meu coração lhe abrigou e estou sentindo uma ponta de saudade, saudade de não viver mais isso, de não passar tardes olhando a janela na esperança de que tu chegasse e jogasse pedrinhas, estou arrependida de não ter lhe esperado perto da garrafa, quem sabe haveria uma troca de amores? Mas lhe garanto que parto com o coração limpo, parto com amor. Me promete? Promete nunca me esquecer? Promete que sempre lembrará que eu amei você? Estou transpirando amor, chorando amor e agora, estou morrendo amor. Não tenho a intenção de lhe atrapalhar, siga tua história, mas eu nunca lhe abandonarei, essa era a minha sina, ser a tua pequena distinta. Em noites de Lua cheia, sou eu lhe dando um presente, serei eu lhe enchendo de carinho, mas sempre que a mesma partir, é apenas mais um motivo para sentir saudade de uma curiosa. Estava sentindo o fim? Como sabia meu pequeno? Como sabia que algo estava errado? Como sabia que aquele seria um beijo de despedida? Que por ironia eu o senti, e apenas sorri deixando a briza bater em meu corpo e voar meus cabelos. Senti um formigamento maior ao ler estas palavras, estais ai? Venha me tirar desse pesadelo, não me deixe partir sem você, me pegue no colo, me encha de mimos, Lucas arranque esse medo do meu peito, promete segurar minha mão? As lágrimas insistem em cair, esse é meu ultimo mar de choros, minha ultima contribuição para a linda tristeza, sempre a tive como uma timida dama esperando seu cavalheiro enxugar suas lágrimas e lhe aninhar em seus braços, talvez tenha encontrado o meu, mas o futuro fez com que o perdesse no meio do caminho. Minha pele clama pela tua, meu olhar procura o seu, meu sorriso estava a sua procura. Deixo nessa carta, minhas ultimas promessas, e lhe prometo eterno carinho, agora serei o teu anjo da guarda. Eu amo você.
Meu pequeno princípe não perca a tua coroa, estarei sempre a te animar nos dias frios, e quando estiver só, dance com a lua, dance comigo. Mesmo agora que estou sem vida, meus olhos carregam dor, e morrerei só, só com o teu amor. Abri a porta e não te vi, Lucas, quando for dormir, me chama pra sonhar? Sou um livro de rabiscos e esse livro acabou, mas todas as folhas deste foram cheias de amor, um amor que aconteceu rapido, talvez por acaso...
Então boa noite a lua e boa noite á você, ja que és a unica coisa que penso.

Ultimas palavras,
De um amor verdadeiro

- Lucas - abro a porta e grito com toda a minha força - Eu amo você. - Com lágrimas em meus olhos, bato a mesma e escorrego até o chão.




P.S. “Dê-me a honra, rapaz, e segure minha mão quando pular do abismo.
Ensino-te
o ritmo
único
e íntimo
do bater de asas.
Dê-me a honra, menino, e ensino-te a voar.”
— Claudia Calado




|Erika Bastos

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Meu anjo,

Não sabes o tamanho do sorriso que abri ao ler tuas palavras, não imagina o salto que meu coração deu ao ler que pensa em mim, que talvez, ai dentro haja um sentimento forte, e que ele está direcionado a mim, uma perdida no mundo dos poetas. Meu preto, meu amor, meu anjo, meu dengo, venha e me leve contigo, preciso me desligar dessa vida, quero apenas me perder em tua poesia. Eu mudei de casa, gostaria de mudar meu coração, quer dividir um sofá e um cafuné? Meu Lucas, meu, meu e meu, quero sentir o seu cheiro, leio e releio tuas cartas e sinto o peso do seu olhar sob minhas costas, estais aqui meu amor? Meus olhos são pretos, tão pretos que apenas de olha-los sente o enorme peso de minha vida, sente minha intesidade e se arrepende de tentar desvendá-los. Estou sorrindo agora, venha vamos sorrir juntos, não se sinta só, não se perca nesse mundo de sentimentos, meu peito está aqui apenas para te guardar, olha para o céu, as estrelas representam meus sonhos, os traços de nuvens meus sorrisos, não se esqueça de mim, seria um peso muito forte para carregar. Me promete? Promete que nunca irá parar com os seus mimos? Quero seu colo, quero seu cheiro, meu coração está alimentando esperanças nas quais não sei ao certo se valem a pena de uma tarde perdida pensando em você. Me responda Lucas, vale a pena me perder em alguém sem nunca te-lo visto? Ao menos sentido? Tire minhas duvidas com seus beijos. Senti um arrepio pelo meu corpo quando a briza do mar bateu, será você? Me diga que existe, me diga que nada disso foi em vão, me diga que ainda vamos nos abraçar, apenas me diga..

- Lucas, meus sonhos estão se perdendo em pesadelos, meu chá esfriou e meu coração congelou, me derreta meu amor, me derreta.

Palavras confusas,
De uma linda apaixonada


|Erika Bastos

sábado, 7 de abril de 2012

Ponto final

Madrugadas perdidas,
histórias contadas,
segredos partilhados
Sempre assim

E tudo tem seu fim,
seu gelo, seu bloqueio
Passamos de conhecidos
para amigos, enfim,
confidentes e voltamos ao inicio
Assim sempre

Vivemos mundos diferentes,
um abismo entre corpos
Mentes iguais, gerações distantes

Feitos planos,
admirações constantes,
o afastamento é com danos
Fotos nas estantes

Como o mar,
bate e volta intenso
inconsequentemente bom,
seu cheiro no ar
feito incenso

Estou aqui sorrindo
sua foto na estante
ditando o fim,
lembranças constantes
ditando o fim,
por eternos instantes

Com o tchau,
Se eterniza a história com repetições,
para amor, normal amor,
mal amor, paranormal amor.
Com o tchau,
o ponto final
Sempre assim, assim sempre.

|Erika Bastos

domingo, 25 de março de 2012

Minha alma transborda em meus olhos, a saudade bate e a mente voa, queria estar ai, no teu abraço meu pequeno sonhador, aconchego de carinhos nesse colo voador, venha me banhar de sorrisos meu amor.

|Erika Bastos

segunda-feira, 12 de março de 2012

Lucas meu anjo,

Estou com tantas saudades que nem cabe mais em meu peito, esperei por semanas que você me procurasse, mas não houve manifesto de sua parte, sei que fui eu quem não respondeste, mas meu pequeno, estava com medo, medo de que virasse obrigação nos escrevermos, queria apenas que fosse algo espontaneo, como a saudade e a vontade. Estou triste, estou calma, estou solitária, estou com saudades, na verdade, estou encantada. Lhe quero perto, lhe quero bem, quero teu cafuné, teu chá e teu café. Vem meu Lucas, vem e me ame, traga suas asas e seus chocotones. Sonhei esses dias com você, o que se tornou tão comum, estavamos abraçados, observando o vai e vem das ondas, a lua era nossa luz, o teu cheiro se misturava com a briza, teu colo confortavél, passados algum tempo a maré nos trouxe uma garrafa quebrada. Senti que a nossa história está como a garrafa, quebrada, porque deixamos isso morrer? Onde foi parar todo o encanto e romantismo ja escrito por nós? Espero ainda ler tua poesia meu amor, será que ainda vem de encontro a garrafa? Quem sabe um dia não nos encontremos?

                                                                                          Com saudade,
                                                                                          Uma distinta apaixonada.
|Erika Bastos



domingo, 8 de janeiro de 2012

Então me salve.

Estou prestes a largar mão de tudo e pular em um abismo sem fim. Um abismo no qual pretendo me encontrar ou me perder de vez. Me dê sua mão e me salve. Não tenho muito o que lhe oferecer em troca, tenho manchas de café em meus livros favoritos, gasto meu tempo observando a Lua e riscando traços desalinhados em um papel branco. Sou pequena demais para sua intensidade, meus problemas são pesados para seus ouvidos. Mas o meu amor, o tal do amor, esse é enorme e consegue diminuir todos os problemas e abismos e ainda nos juntar abraçados no meio de uma tempestade. O que posso lhe oferecer é tudo o que me restou, o meu amor. Passaria inúmeros domingos ao seu lado conversando sobre bobeiras e discutindo quem estava certo, para no final, as brigas começassem apenas para terminarem em beijos apaixonados. Lhe desenharia com minhas mãos tremulas e destacaria seu grande nariz. Dançaríamos na chuva como em filmes americanos, teríamos nossas iniciais gravadas em uma árvore e lhe contaria minhas teorias sobre a lua. Então apenas me dê sua mão e tente viver comigo esse mar de problemas e intensidades. Não vou lhe prometer amor eterno, isso não é uma aposta ou uma promessa, é apenas o meu sentimento que estou lhe oferecendo com o peito aberto. Felicidade também não estará presente em todos os momentos, mas a tristeza tem um lado tão bonito, não acha? Podemos superar isso. Podemos superar tudo, até o que acharmos impossível. Mergulharemos na intensidade que é o nosso amor e com vários bilhetes na geladeira, dispersaremos a dor, e da saudade não mais viveremos. Seremos felizes, serenos, me dê a sua mão e se arrisca comigo?

|Erika Bastos

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Renovarei minhas asas, quando renovar meus pensamentos. Preciso de mais café. Olho pela janela e vejo o sol invadindo meu quarto, mas quem o chamou? O sol não pede permissão para entrar, assim como você não pediu permissão para invadir meus pensamentos. Vou seguir minha vida, vou voar por ai, só preciso de um tempo, quero pensar. Escrever está difícil ultimamente, o papel branco me encara e não sei se devo falar novamente de ti, mas será que tem escolha? Estou cansada. Faz dias que não vejo a Lua, choveu muito por aqui, choveu em mim e não apenas me lavou, me afogou. Estou me sufocando em lembranças antigas e alimentando esperanças nas quais não valem a pena pensar. Meu olhar está vazio, meu sorriso está cansado, queria ouvir de ti que acabou, que não vai mais voltar. Mas como? Será que sairia palavras de sua boca? É claro que não. Já pensei em me juntar a ti, sou covarde, não consigo desistir de tudo, infelizmente, nem por você. Me sinto mal por isso, me sinto péssima, me sinto culpada. Estou prolongando nosso fim, já terminamos de escrever nosso capitulo as pressas, ele está acabado, aceito isso, sempre aceitei, apenas gostaria de te ter aqui comigo novamente, me dê as suas mãos, me traga sorrisos. Eu amo você. Enfim, o fim. "

|Erika Bastos


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Meu Lucas,

Posso lhe chamar assim? Gostaria de sonhar contigo, me permite? Talvez nos encontremos nas lembranças de vidas antigas, sinto que lhe conheço. Não queiras viver minha vida, minha intensidade, ela é cheia de magoas, minhas rachaduras são profundas e dolorosas, não queiras mais dor em sua caminhada meu amor. Suas palavras estão me forçando a continuar, me prometa nunca parar de me encher com seus mimos? Me faça um favor meu querido, não crie expectativa em me ver, sou apenas uma viajante pela vida que carrega dor em seus olhos. Não chego aos pés do brilho da lua, não sou perfeita meu bem, sou comum, sou uma comum distinta e distante, me traga de volta. Senti o seu abraço hoje, sem ao menos ter-lhe visto, sinto seu cheiro. Tens cheiro do mar. Acabei de sentir teus dedos quentes entrelaçados nos meus. Faça esse encontro acontecer logo Lucas, preciso de você aqui, mas em que sentido? Qual é o meu sentido por ti? Às vezes acho que estou recebendo colo de pai, às vezes mimos de namorado. Gostaria que me contasse sua idade... Mas eu tentarei lhe entender. Estou manhosa hoje meu pequeno, novamente, estou a espera de seus carinhos. Tenho a impressão de que sonhamos juntos hoje, talvez já o conheça. Não deixa essa garrafa esvaziar, ela está representando meu coração. Me traga sorrisos, me dê asas, me dê sua mão, venha, vamos caminhar juntos pela estrada da dor, vamos nos acudir e nos salvar. Ei meu amor, venha me abraçar.

- Lucas, eu quero sentir o calor de seu olhar, por onde andas?

Olhares vazios,
de uma carente distante.

|Erika Bastos

domingo, 27 de novembro de 2011

Ei Lucas,
Estais angustiado? Me conte o motivo, estarei aqui para ouvi-lo. Espero que o tempo lhe ouça e realmente traga alguém para me aninhar nas noites frias. Me diga meu pequeno, quantos anos tem? Estou curiosa para saber sobre sua caminhada, percebo que foi muito sofrida, mas, me parece que ainda possui muitos sonhos. Um de seus sonhos estais errado, você, como mesmo disse, sonha com o brilho de meus olhos. Meu amor, meus olhos não demonstram vida, são frios e sem emoção. Gostaria de que me invadisse e que transformasse tudo em brilho, tudo em lua, assim como gostaria de lhe invadir e te tirar da tristeza. Lucas, me diga, sentes mesmo minha falta? Pois, esse tempo sem lhe escrever foi uma morte para mim, estou angustiada com a sua ausência, venha me encontrar, estou lhe aguardando junto com a estrela mais bonita. Abri um de meus sorrisos mais verdadeiros ao ler que sou sua Lua... Não mereço comparação com algo tão perfeito, obrigada por isso. Meu amor, quando está garrafa encher, o que faremos? Não trocamos mais do que algumas palavras, alguns sentimentos e já lhe sinto muito próximo de mim, como se fossemos velhos conhecidos... Será lembranças? Gostaria que nos encontrássemos, gostaria de lhe pegar a mão e andar pela praia, que tal um abraço? Quem sabe até, adormecer em seus braços, cuidaria dos meus sonhos? Posso fechar os olhos agora?

- Vem Lucas, estou aqui, venha ao meu encontro...

Sonhos altos,
do coração sonhante.

|Erika Bastos

domingo, 13 de novembro de 2011

Eu me vejo como uma vaga lembrança.

Meu coração esfriou, meu maior medo aconteceu. A menina dos sonhos se perdeu nos pesadelos. Tenho medo de ir dormir, lembranças antigas perturbam minha mente. Quero ir embora, me afastar de todos, a luz fere meus olhos. Apenas ir, me deixe ir... Meus olhos não choram mais, eu estou com medo. Eu preciso de ajuda, me tire daqui? Os pesadelos estão me machucando, minha cabeça dói. Acredite, estou morrendo por dentro, eu congelei. Isso está me assustando. Eu não existo mais, você ainda pode me ver? Não parece, estou passando e ninguém me enxerga. EI, ESTÁ ME ESCUTANDO? Minha garganta está sangrando, eu grito e ninguém me escuta. Porque? Eu congelei minha dor, me tire desses pesadelos, eles não passam quando eu abro os olhos. Eu não quero dormir, fique comigo essa noite? Não me deixe cair, estou a um passo do abismo. Em que tempo estamos? Eu me perdi nele também? O que está acontecendo comigo.. Eu quero sair daqui, tire isso de minha mente, eu quero fechar os olhos, eu não posso, eu estou com medo. Por favor, me ajude.. Eu preciso ir embora. Eu não sinto mais nada, nada além de medo. Parou de chover, não chove mais dentro de mim, eu não choro mais, já disse isso? Por favor, me ajude a sumir, mas não me deixe cair. Me estenda a mão, eu preciso disso. Apenas não me deixe, me tire desse pesadelo.. Posso fechar os olhos?

|Erika Bastos


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Desliguei a televisão,

parei de tomar café, esqueci os remédios, mudei minha receita. Continuo andando pela escuridão á sua procura. Meu amor, onde está? Ainda sonho com o seu sorriso, essa dor ainda pulsa viva dentro de mim, apenas deixei pra lá. Sua intensidade me machucou. Lembra-se de sua promessa? Ainda não recebi meus lírios. Joguei minha angustia nesse mar inexistente, junto com todo esse sentimento que o sinto, nada sumiu, o sentimento  veio carregado com a saudade de seu olhar, este que me intrigava, ele te revelava. Sempre foi assim, seu olhar negro me encarando dizendo quem era você. Cortei meus cabelos, deixei minha unha crescer. Tentei me desapegar de ti, esquecer suas vontades, mas assim como a televisão, mesmo desligada ela ainda ocupa uma tomada. Diga-me, por onde andas? Porque foi assim, tão depressa? Você sabia que eu odiava despedida e nos fez ter uma. Sua culpa. Minha alma chorou naquele dia. Meu relógio parou, o café esfriou, traga-me os remédios com um copo de água. Gustavo, eu enlouqueci, eu sei. Internei-me. Vivo presa nessa angústia, internei-me na dor. Tire-me daqui. Sua culpa, eu não consigo olhar para o tempo, eu me perdi nele. Diga-me meu amor, que dia é hoje? Há quanto tempo se foi? Volte para mim. Gustavo? Estais me escutando agora? Diga a eles que eu te amo. Não é loucura, é amor. Mesmo que os dois sejam sinônimos, eles não entendem. Internei-me, onde? Em minha consciência, venha, me tire de minha escuridão. Escuto nossa música todos os dias, você ainda se lembra dela? Sinto o seu cheiro em meu quarto. Ando pelas ruas na esperança de passar pela praça e te ver. Porque evitastes o parque? Adorava sentar debaixo de uma árvore e ler, eu não irei lhe incomodar. Quero-lhe de volta apenas se quiser vir. Encontre-me algum dia pela esquina, talvez eu deva ter esquecido meu sorriso contigo, quem sabe ele não esteja ao seu lado? Passe na minha janela, estarei escrevendo, jogando minhas palavras na brisa. Estou passando mais tempo dormindo, venha , apareça para mim. Eles acham que estou louca, diga-lhes meu bem, não é loucura. Perdi-me atrás de uma paixão, te criei dentro do meu coração, não fuja de mim meu amor. Eu sei que estais dentro de mim, ainda espero te ter. Traga-me os remédios Gustavo, não fuja, volte para mim. Meu amor está lhe sentindo, você voltou para mim? Meu bem me devolva o meu coração, traga o meu ar…

- Querida? Querida? Acorde, está na hora do seu rémedio. - dizia a enfermeira com os meus calmantes mais uma vez, ao fechar a porta, pensou alta. - Uma pena, cada dia mais doente. - Fechei os olhos fortemente, ele estava me esperando...

|Erika Bastos